segunda-feira, 21 de março de 2011

Sentidos desatinados




Escapa-me a lua de luar claro
Que não esconde o sentir amordaçado
Na noite longa de orvalhos reluzentes.
Quero dizer, ver, sentir, ouvir
E tudo se me escapa…
A boca engolindo as palavras
Que se amontoam no dizer;
O olhar embaciando imagens
Que brotam amarfanhadas na lembrança;
As mãos arrastando carícias
Petrificadas  no desejo de acolher;
Melopeias, sussurros e gemidos
Escapando em delírios no querer ouvidos!
Escapam-se-me os sentidos …
E desatinada teimo em adormecer
Na longa noite do meu olhar…
E no silêncio do falar
Ouço-me na quietude do nada
E me deixo escapar de mim!

Manuela Becken
21Março 2011

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