quinta-feira, 24 de março de 2011

E...partem


Os poemas são como o vento

Vêm sem se saber de onde

Tocam fogem e deixam sensações e aragens 

Que nos transportam a outras paragens

A outros instantes e sabores

A momentos de fados e de amores 

Cumprindo o seu objectivo:

Fazer pensar e sentir os que podem…

E… partem.

Manuela Becken
Julho 2010

quarta-feira, 23 de março de 2011

PÁGINAS AO VENTO



Há um vento, há uma brisa
Que açoita o pensamento
Folheia as páginas do livro
Torna as palavras ‘poemas’!
Em loucura eleva a água
Rebenta a onda em espuma
 Arrasta no pensamento
Memórias soltas p’rá bruma.
É um odor a maresia
Pelo nevoeiro arrastando
A saudade de um qualquer dia.
…É o pensamento voando!
As palavras dão-lhe corpo
Acumuladas em rima.
A mão cede ao pensamento,
Ao feitiço ou à sina!?

Manuela Becken
        Maio/99

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sentidos desatinados




Escapa-me a lua de luar claro
Que não esconde o sentir amordaçado
Na noite longa de orvalhos reluzentes.
Quero dizer, ver, sentir, ouvir
E tudo se me escapa…
A boca engolindo as palavras
Que se amontoam no dizer;
O olhar embaciando imagens
Que brotam amarfanhadas na lembrança;
As mãos arrastando carícias
Petrificadas  no desejo de acolher;
Melopeias, sussurros e gemidos
Escapando em delírios no querer ouvidos!
Escapam-se-me os sentidos …
E desatinada teimo em adormecer
Na longa noite do meu olhar…
E no silêncio do falar
Ouço-me na quietude do nada
E me deixo escapar de mim!

Manuela Becken
21Março 2011