sábado, 22 de junho de 2013

 Instante


Dispo-me de memórias delicadas
E estendo-as como roupa na ombreira desta tarde soalheira
Onde as deixo ondular ao sabor do vento
Que sopra aromas de paixão... 

São memórias ricas de emoções em palacetes requintados
Rodeados de jardins floridos em êxtase de Primavera.

Sinto o belo de momentos inesquecíveis
Num rodopio de sorrisos e  de brilhos no olhar
Reflectidos no mar
Onde tu és sol e horizonte que me trespassa e me ultrapassa...!

Corres em luz com sabor a mar por dentro de mim 
E refrescas-me  e inundas-me de ti
Como jamais alguém  invadiu  o meu EU...!
Hoje, num instante, vieste até mim
 E ficarás assim até que outro instante de ti me invada!!!

Junho 2013  
Ne_____________

quinta-feira, 24 de março de 2011

E...partem


Os poemas são como o vento

Vêm sem se saber de onde

Tocam fogem e deixam sensações e aragens 

Que nos transportam a outras paragens

A outros instantes e sabores

A momentos de fados e de amores 

Cumprindo o seu objectivo:

Fazer pensar e sentir os que podem…

E… partem.

Manuela Becken
Julho 2010

quarta-feira, 23 de março de 2011

PÁGINAS AO VENTO



Há um vento, há uma brisa
Que açoita o pensamento
Folheia as páginas do livro
Torna as palavras ‘poemas’!
Em loucura eleva a água
Rebenta a onda em espuma
 Arrasta no pensamento
Memórias soltas p’rá bruma.
É um odor a maresia
Pelo nevoeiro arrastando
A saudade de um qualquer dia.
…É o pensamento voando!
As palavras dão-lhe corpo
Acumuladas em rima.
A mão cede ao pensamento,
Ao feitiço ou à sina!?

Manuela Becken
        Maio/99

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sentidos desatinados




Escapa-me a lua de luar claro
Que não esconde o sentir amordaçado
Na noite longa de orvalhos reluzentes.
Quero dizer, ver, sentir, ouvir
E tudo se me escapa…
A boca engolindo as palavras
Que se amontoam no dizer;
O olhar embaciando imagens
Que brotam amarfanhadas na lembrança;
As mãos arrastando carícias
Petrificadas  no desejo de acolher;
Melopeias, sussurros e gemidos
Escapando em delírios no querer ouvidos!
Escapam-se-me os sentidos …
E desatinada teimo em adormecer
Na longa noite do meu olhar…
E no silêncio do falar
Ouço-me na quietude do nada
E me deixo escapar de mim!

Manuela Becken
21Março 2011

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tanto e...Nada

Tanto ficou por dizer
Na vontade de dizer tanto!
E tanto foi no olhar 
De dizer o quanto tanto!

Tanto ficou por fazer;
Fazer e desfazer o feito
E desfeito ficou o fazer
No dizer preso ao peito.

E de nada valeu o tanto!
E tanto levou o nada!
Que nada valia...portanto
Se de tanto não tinha nada...!

Manuela Becken
Agsto/98


        "O poema foi arrastado para a treva onde os estranguladores das palavras constroem o silêncio..." (Natália Correia)

Quase...!

O sol, a brisa....eu desfruto
No mar em espuma....eu me enlaço,
Em água da chuva....eu me desfaço
E quase que morro porque luto.
Nos entraves da luta....me dou,
Cerras-me os olhos p'ra não ver,
Açoitas-me este meu querer
E quase na plenitude....te sou.
Querer o amor, o triunfo, a chama, 
Querer o princípio, o meio e o fim,
E por querer.... ai de mim, 
Pois luto por quase nada!

É que a vida ... é uma luta sempre em luto!!



Manuela Becken
Agto/98

Caminho

Caminho...
Sou caminhante errante ... sem destino,
Sem sol, sem luz que oriente ... meu rumo.
Caminho com esta alma, com este olhar
Sem nunca perguntar à razão:
Por que segue assim o coração?


Caminho...
Sou caminhante errante ...  em ti
Montanha gigante ... coberta de névoa;
Baça, incógnita e ...  imprevisível,
Tão louca, tão perdida, tão ... mais...
Que caminho assim ... demais!

Manuela Becken
Dez/97